Nível do mar continuará subindo pelos próximos 500 anos

A elevação do nível dos oceanos nos próximos séculos é talvez uma das mais catastróficas consequências do aumento das temperaturas. Custos econômicos massivos, consequências sociais e migrações forçadas podem são apenas alguns resultados do aquecimento global.
Pesquisadores do Instituto Niels Bohr e da Universidade de Copenhage calcularam as perspectivas de longo prazo da elevação do nível dos oceanos relacionado à emissão de gases poluentes. Os resultados, publicados na revista cientifica Global and Planetary Change, revelaram que os níveis dos oceanos devem continuar subindo por pelos menos 500 anos.
"Nós não estamos olhando para o que está acontecendo com o clima, mas nos focamos exclusivamente nos níveis dos oceanos", explicou Aslak Grinsted, pesquisador do Center for Ice and Climate (Centro para Gelo e Clima, na tradução para o português) e da Universidade de Copenhage.
Previsões
O grupo de pesquisadores realizou cálculos para quatro futuros cenários. O quadro pessimista, que parte do pressuposto de que as emissões de gases estufa continuem a subir, mostra que os níveis do mar vão aumentar 1,1 me até 2100 e 5,5 me até 2500.
Mas mesmo no cenário mais otimista, que depende de severas mudanças climáticas e esforços econômicos e sociais na redução do impacto ambiental, os níveis do mar continuariam a subir. Até 2100 a elevação corresponderia a cerca de 75 cm e a 2 metros até 2500, de acordo com as previsões.[Fonte: Terra]

Rio de 6 mil km é descoberto embaixo do Rio Amazonas

Pesquisadores do Observatório Nacional (ON) encontraram evidências de um rio subterrâneo de 6 mil quilômetros de extensão que corre embaixo do Rio Amazonas, a uma profundidade de 4 mil metros. Os dois cursos d’água têm o mesmo sentido de fluxo - de oeste para leste -, mas se comportam de forma diferente. A descoberta foi possível graças aos dados de temperatura de 241 poços profundos perfurados pela Petrobras nas décadas de 1970 e 1980, na região amazônica. A estatal procurava petróleo.
Fluidos que se movimentam por meios porosos - como a água que corre por dentro dos sedimentos sob a Bacia Amazônica - costumam produzir sutis variações de temperatura. Com a informação térmica fornecida pela Petrobras, os cientistas Valiya Hamza, da Coordenação de Geofísica do Observatório Nacional, e a professora Elizabeth Tavares Pimentel, da Universidade Federal do Amazonas, identificaram a movimentação de águas subterrâneas em profundidades de até 4 mil metros.
Os dados do doutorado de Elizabeth, sob orientação de Hamza, foram apresentados na semana passada no 12.º Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica, no Rio. Em homenagem ao orientador, um pesquisador indiano que vive no Brasil desde 1974, os cientistas batizaram o fluxo subterrâneo de Rio Hamza.
Características
A vazão média do Rio Amazonas é estimada em 133 mil metros cúbicos de água por segundo (m3/s). O fluxo subterrâneo contém apenas 2% desse volume com uma vazão de 3 mil m3/s - maior que a do Rio São Francisco, que corta Minas e o Nordeste e beneficia 13 milhões de pessoas, de 2,7 mil m3/s. Para se ter uma ideia da força do Hamza, quando a calha do Rio Tietê, em São Paulo, está cheia, a vazão alcança pouco mais de 1 mil m3/s.
As diferenças entre o Amazonas e o Hamza também são significativas quando se compara a largura e a velocidade do curso d’água dos dois rios. Enquanto as margens do Amazonas distam de 1 a 100 quilômetros, a largura do rio subterrâneo varia de 200 a 400 quilômetros. Por outro lado, a s águas do Amazonas correm de 0,1 a 2 metros por segundo, dependendo do local. Embaixo da terra, a velocidade é muito menor: de 10 a 100 metros por ano.
Há uma explicação simples para a lentidão subterrânea. Na superfície, a água movimenta-se sobre a calha do rio, como um líquido que escorre sobre a superfície. Nas profundezas, não há um túnel por onde a água possa correr. Ela vence pouco a pouco a resistência de sedimentos que atuam como uma gigantesca esponja: o líquido caminha pelos poros da rocha rumo ao mar. [Fonte: Yahoo]

ONU calcula gasto trilionário para evitar "catástrofe ambiental no planeta"

A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou, na terça-feira (5), pesquisa em que calcula um preço para evitar uma "catástrofe ambiental no planeta". Segundo o relatório, até 2050 será necessário investir US$ 1,9 trilhão por ano para intensificar o uso de tecnologias verdes existente e para criar "novos instrumentos tecnológicos necessários". Com isso, o montante aplicado precisaria ser US$ 76 trilhões até o final das próximas quatro décadas.
Atualmente, segundo a pesquisa, 90% da energia mundial é proveniente de combustíveis fósseis, que por sua vez são responsáveis por 60% das emissões de CO2. "A revisão tecnológica terá de ser na escala da primeira revolução industrial", afirma a pesquisa. O estudo ainda cobra a comprometimento dos países em desenvolvimento, como o Brasil, de se responsabilizarem pelo investimento de pelo menos metade dessa quantia, cerca de US$ 1,1 trilhão a cada ano.
Caso os países em desenvolvimento acatem o apelo da ONU, o investimento em “energia verde” precisaria ser expandido entre 2% a 4% em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). O Brasil aplica atualmente um percentual até superior ao recomendado. Em 2010, foi o equivalente a 18,4% de seu PIB na chamada energia limpa.
Segundo a ONU, “desde a revolução industrial, a renda mundial e a população cresceram exponencialmente, assim como a demanda de energia e o acúmulo de resíduos poluentes” chegando ao “limite da atividade humana.” Portanto, de acordo com o relatório, "as mudanças devem ser realizadas em um prazo limitado – mais cedo ou mais tarde – por causa das pressões ecológicas".

Investir é preciso

“Os maiores esforços para a transformação tecnológicas devem ocorrer a nível nacional, respeitando as condições individuais”, diz o documento, que ainda cobra compromissos de desenvolvimento tecnológico entre as nações e maior cooperação para financiamentos.
A pesquisa ainda alega que os empresários e os governos costumam enxergar o financiamento como principal obstáculo para a rápida adaptação às energias limpas. Como saída, o relatório sugere ajuda internacional para suprir as demandas.

Rio+20

No mesmo ensejo climático, o Rio de Janeiro será palco, de 28 de maio a 6 de junho de 2012, de um amplo debate sobre sobre o assunto. O encontro contará com a participação de representantes de diversos países, entre eles os principais alvos de críticas pelos métodos de produção poluidores, como China, Índia e Estados Unidos.
O subsecretário geral da ONU, Sha Zukang, falou sobre a importância de se debater a pesquisa no encontro. “O relatório é leitura obrigatória para o Rio+20, que é uma oportunidade para definir caminhos de um caminho mais seguro, limpo e próspero para todos”, explica Zukang.[Fonte: RedeBrasilAtual]

Planeta pode estar próximo de sofrer nova extinção em massa



O declínio nas populações de muitas espécies animais, de peixes a tigres, fez alguns cientistas alertarem uma possível extinção em massa na Terra, assim como as que ocorreram cinco vezes durante os últimos 540 milhões anos. Cada uma dessas "Grandes Cinco" extinguiu três quartos ou mais de todas as espécies animais.

Em um estudo publicado na edição desta quinta-feira, 3, da revista Nature, paleobiólogos da Universidade da Califórnia, Berkeley, avaliaram como os mamíferos e outras espécies estão hoje em termos de possível extinção, em comparação com os últimos 540 milhões de anos, e encontraram motivos para esperança e também preocupação.

Segundo o principal autor Anthony D. Barnosky, professor de biologia integrativa da UC Berkeley, ao olhar os mamíferos em risco crítico - aqueles em risco de extinção é de pelo menos 50% num prazo de três gerações - e assumir a possibilidade de que poderão estar extintos dentro de mil anos, uma variação fora do normal, pode apontar para uma extinção em massa.

Barnosky argumenta que se espécies atualmente ameaçadas - aquelas oficialmente classificadas como em perigo crítico, em perigo e vulneráveis - realmente forem extintas, e que tal taxa de extinção persistir, uma sexta extinção em massa pode ocorrer dentro de 3 a 22 séculos.

Assim mesmo, o autor acrescentou que ainda não é tarde para salvar essas espécies em risco crítico. Isso exigiria lidar com uma grande lista de ameaças, incluindo a degradação de habitats, espécies invasoras, doenças e aquecimento global. De acordo com Barnosky, apenas 1% a 2% de todas as espécies foram extintas até o momento, mas o que indica que estamos no caminho rumo à extinção em massa. [Fonte: Estadão]

Falta de água pode atingir 80% da população mundial


Os recursos hídricos e sua biodiversidade em todo o mundo estão em crise, ameaçados pela ação humana. Cerca de 80% da população mundial está exposta a um grau elevado de escassez hídrica e 65% das espécies que vivem nos rios estão ameaçadas. Os maus-tratos aos rios - que historicamente ordenaram a ocupação humana - custam aos países US$ 500 bilhões por ano em ações para remediar o problema.
Essas são as conclusões do mais amplo estudo realizado sobre o estado dos rios e bacias hidrográficas no mundo, publicado na edição da revista científica Nature que circula hoje. O trabalho foi conduzido por especialistas da Universidade da Cidade de Nova York e da Universidade de Wisconsin, além de sete outras instituições, e pode ser consultado no site riverthreat.net.
"Os rios de todo o mundo estão realmente em crise, tanto nos países ricos e industrializados quanto nos países em desenvolvimento", afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo Peter McIntyre, professor de zoologia da Universidade de Wisconsin e um dos autores da pesquisa. Segundo ele, os países ricos sofrem tanto quanto os pobres com os efeitos da degradação dos rios, mas estão mais protegidos da escassez por causa dos investimentos pesados que fazem em tecnologias de tratamento.
Mas as nações pobres e em desenvolvimento devem ser as mais afetadas, se continuarem gerenciando seus recursos hídricos de forma predatória, com a construção de barragens, poluição, falta de saneamento e pesca predatória. "No Brasil, os rios mais ameaçados são justamente os que estão mais próximos dos grandes centros urbanos, nas Regiões Sudeste e Nordeste." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


Um quinto das plantas do mundo enfrenta a extinção

Cerca de 22% das plantas do mundo estão ameaçadas de extinção, segundo uma pesquisa que avaliou os perigos que ameaçam as espécies vegetais.
O estudo, que envolveu cientistas britânicos, indica que os muitas das 380.000 espécies diferentes conhecidas corem o risco de desaparecer como os mamíferos e estão mais ameaçados que os pássaros.
Um grupo de cientistas do Kew Gardens de Londres, do Museu de História Natural de Londres e da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) apurou que a maior ameaça ao habitat de plantas é a ação humana.
A destruição da mata atlântica da América do Sul, derrubadas e queimadas de áreas florestais em Madagáscar, as plantações de palma para produção de azeite na Indonésia e a agricultura intensiva na Europa e América são as grandes ameaças aos habitats naturais das plantas.
O estudo indica que entre 80.000 e 100.000 espécies de plantas estão ameaçadas de extinção em todo o mundo, um número 50 vezes superior ao número de espécies nativas nas ilhas britânicas.
Para chegar a esta conclusão, o relatório tomou como referência 7.000 plantas pertencentes a cinco grupos principais de vegetais que incluem musgos, samambaias, coníferas, algumas flores, como orquídeas, gramíneas e leguminosas.
Tanto as espécies raras como as mais comuns foram avaliadas para se ter uma visão mais clara do seu futuro, em contraste com a atual Lista Vermelha de espécies de plantas ameaçadas desenvolvida pela IUCN, compreendendo apenas 3 por cento das plantas existentes já que está focada nas que correm risco de extinção.
Os pesquisadores descobriram que 22% destas espécies podem ser classificadas como "criticamente ameaçadas" de extinção, apenas "em perigo" ou "vulneráveis".
Cerca de 10% ainda não estão em perigo, mas estarão se não tomarmos as medidas adequadas, como acontece com a flor conhecida como snowdrops, que chegou ao Reino Unido como uma espécie invasora, mas está perdendo terreno em sua habitat natural na Europa Central e Oriental.
A maioria das espécies ameaçadas são nativas de florestas tropicais, onde cresce a maior variedade de plantas, e de ilhas que estão no meio do oceano, como Páscoa e Bermudas.
O grupo das gimnospermas, da qual pertencem as coníferas, é o mais ameaçado, com cerca de 36% das espécies do componente de risco.
O diretor do Kew Royal Botanic Gardens, Stephen Hopper, disse que o estudo "confirma o que já suspeitava: Que as plantas estão ameaçados pela ação humana".
"Nós não podemos ficar parados enquanto as espécies desaparecem. As plantas são a base da vida na Terra, fonte de ar limpo, água, alimentos e combustível, e toda a vida animal depende delas", disse Hopper, que observou a necessidade de utilizar todas as ferramentas do conhecimento para evitar o desaparecimento da vida vegetal.
O estudo é publicado apenas algumas semanas antes de os funcionários da ONU reunirem-se em Nagoya (Japão) para discutir sobre a biodiversidade e definir metas para a proteção da natureza. [Fonte: Estadão]

'Meio mundo pode ficar inóspito com mudança climática', diz estudo

O aquecimento global pode deixar até metade do planeta inabitável nos próximos três séculos, de acordo com um estudo das universidades de New South Wales, na Austrália, e de Purdue, nos Estados Unidos, que leva em conta os piores cenários de modelos climáticos.

O estudo, publicado na última edição da revista especializada "Proceedings of the National Academy of Sciences", afirma ainda que, embora seja improvável que isso aconteça ainda neste século, é possível que já no próximo várias regiões estejam sob calor intolerável para humanos e outros mamíferos.

"Descobrimos que um aquecimento médio de 7°C faria algumas regiões ultrapassar o limite do termômetro úmido [equivalente à sensação do vento sobre a pele molhada], e um aquecimento médio de 12°C deixaria metade da população mundial em um ambiente inabitável", afirmou Peter Huber, da universidade de Purdue.

Os cientistas argumentam que ao calcular os riscos das emissões de gases-estufa atuais, é preciso que se leve em conta os piores cenários, como os previstos no estudo.

'Roleta russa'
Quando o professor Huber fala em um aquecimento médio de 12°C, isso significaria aumentos de até 35°C no termômetro úmido nas regiões mais quentes do planeta.

Atualmente, segundo o estudo, as temperaturas mais altas nessa medida nunca ultrapassam 30°C. A partir de 35°C no termômetro úmido, o corpo humano só suportaria algumas horas antes de entrar em hipertermia (sobreaquecimento).

Huber compara a escolha a um jogo de roleta russa, em que "às vezes o risco é alto demais, mesmo se existe apenas uma pequena chance de perder".

O estudo também ressalta que o calor já é uma das principais causas de morte por fenômenos naturais e que muitos acreditam, erroneamente, que a humanidade pode simplesmente se adaptar a temperaturas mais altas.

"Mas quando se mede em termos de picos de estresse incluindo umidade, isso se torna falso", afirmou o professor Steven Sherwood, da universidade de New South Wales.

Calcula-se que um aumento de apenas 4°C medidos por um termômetro úmido já levaria metade da população mundial a enfrentar um calor equivalente a máximas registradas em poucos locais atualmente.

Os autores também afirmam que um aquecimento de 12°C é possível pela manutenção da queima de combustíveis fósseis.

"Uma implicação disso é que cálculos recentes do custo das mudanças climáticas sem mitigação [medidas para combatê-las] são baixos demais."

Lagartos entram em extinção mundial por causa do aquecimento


Ritmo de extinções até 2080 (Foto: Barry Sinervo e colegas / Science)




Lagartinho-branco-da-praia ('Liolaemus lutzae'), que só existe no RJ: quase 30% de extinção de populações locais desde 1984 (Foto: Luiz Cláudio Marigo via Carlos Frederico Duarte Rocha)


Fêmea de 'Sceloporus mucronatus', espécie com baixa temperatura corpórea, portanto altamente suscetível ao aquecimento (Foto: Barry Sinervo / Science)


Um grupo de 26 cientistas de 11 países, entre os quais um brasileiro, concluiu que os lagartos já cruzaram o portal das extinções em massa, por causa do aquecimento global. Além de um certo limite de elevação da temperatura, eles simplesmente não estão conseguindo se adaptar. Os pesquisadores calcularam que 40% das populações locais serão extintas até 2080. Em termos de espécies, 20% vão desaparecer até lá, caso o padrão de emissões de gases-estufa siga na mesma toada. Na avaliação dos especialistas, muitas das extinções projetadas para 2080 até podem ser evitadas, caso finalmente haja esforços de fato (e não apenas declarações de intenções) para reduzir emissões. Mas o cenário para 2050 é “provavelmente inevitável”, sentenciam.

Achávamos que os lagartos seriam capazes de se adequar, aclimatar, evoluir rapidamente para fazer frente a esse processo de aquecimento, mas verificamos
que não existe esse processo de evolução assim tão rápido, porque a arquitetura genética associada à fisiologia deles não anda tão rápido quanto o aquecimento"
Carlos Duarte Rocha, biólogo da UERJ

“Os lagartos são elementos indicadores muito bons das relações com a térmica do ambiente, porque são muito sensíveis às variações de calor”, explicou ao G1 Carlos Duarte Rocha, do Departamento de Ecologia do Instituto de Biologia da UERJ, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Os bichos vivem se “termorregulando” – calibram a tempertura corpórea pela temperatura do ambiente – movendo-se habilmente por seu “nicho térmico”. Nicho térmico é o conjunto de ambientes que eles exploram para, compensando aqui e ali, manter a temperatura média. “O lagarto se expõe ao sol para atingir uma determinada temperatura corpórea, depois vai para a sombra, depois volta para o sol a fim de ‘fazer manutenção’”, explica Rocha. “Mas com a desregulação resultante do aquecimento, ele não consegue mais ter essa margem de manobra. Resultado: retorna ao abrigo rápido demais, mesmo sem ter se alimentado, porque se não bater em retirada entra em torpor e morre”, diz o cientista.

Assim, se um lagarto poderia há alguns anos ficar em atividade por 12 horas fora do abrigo, hoje, com todo o arrocho nos termômetros, a única faixa viável de livre trânsito se estreita para 3 ou 4 horas. “Ele não vai conseguir alimento em quantidade necessária, não vai atingir o tamanho que é preciso para delimitar território e procriar, simplesmente não terá sucesso reprodutivo”, descreve Rocha. Ou seja: tudo que é essencial para sobreviver é tirado dos bichos.

“Achávamos que os lagartos seriam capazes de se adequar, aclimatar, evoluir rapidamente para fazer frente a esse processo de aquecimento”, conta o biólogo. “Mas verificamos que não existe esse processo de evolução assim tão rápido, porque a arquitetura genética associada à fisiologia deles não anda tão velozmente quanto o aquecimento.”

Os pesquisadores cruzaram dados sobre a temperatura do corpo de lagartos e os séries históricas de distribuição geográfica de diferentes espécies para determinar quantas horas de restrição da atividade poderiam ser sustentadas pelos lagartos.

Para piorar, constataram que os ambientes em que ocorreram as erradicações não são perturbados e, a maioria deles está em parques nacionais e outras áreas protegidas. Conclusão: enquanto a recente extinção global de anfíbios não está diretamente relacionada à mudança do clima, mas, principalmente à propagação de doenças, as extinções de lagartos se devem ao aquecimento do clima, de 1975 até o presente.

Eles destacam que esse desaparecimento em massa terá importantes repercussões “para cima” e “para baixo” na cadeia alimentar, já que os lagartos são presas importantes para muitos pássaros, serpentes e outros animais, e importantes predadores de insetos. Os pesquisadores preveem, em nota apresentando suas conclusões, “o colapso de algumas espécies no extremo superior da cadeia alimentar, e uma liberação para as populações de insetos".

Quanto sol na moleira pode um lagarto aguentar?
Para investigar a ligação entre extinções e temperatura, os pesquisadores foram a uma área na Península de Yucatán onde o lagarto-azul (Sceloporus serrifer) havia declinado nos seus estoques populacionais, instalaram dispositivos que simulavam o corpo de um lagarto tomando sol e fizeram o registro das temperaturas em um microchip. Os dispositivos foram fixados por quatro meses em locais expostos ao sol em áreas com e sem populações sobreviventes do lagarto-azul-espinhoso.

O líder do estudo, Barry Sinervo, do Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade da Califórnia, câmpus de Santa Cruz, usou as descobertas para desenvolver um modelo de risco de extinção baseado nas temperaturas máximas do ar, na temperatura fisiológica de cada espécie de lagarto quando está ativa e as horas nas quais a atividade seria restrita pela temperatura do ambiente. Onde foram extintos, a redução do período de atividade, por excesso de calor, chegou a 9 horas por dia, diz Rocha.

Na comparação entre as previsões do modelo com as observações no México, as únicas diferenças foram em alguns casos onde a população foi eliminada mais cedo do que o esperado por causa da competição com uma espécie que expandiu a sua ocorrência, porque estava adaptada a temperaturas mais quentes.

Indícios no Brasil
No caso específico de um lagarto que só existe no estado do Rio de Janeiro, o lagartinho-branco-da-praia (Liolaemus lutzae), estudado há décadas por Rocha, desde 1984 o número de áreas de restinga nas quais a espécie poderia ser encontrada caiu de 24 para 17. Isso significa que houve quase 30% de extinção de populações locais.

A parte brasileira da pesquisa “Erosion of lizard diversity by climate change and altered thermal niches”, publicada na “Science” desta semana, teve financiamento do CNPq e da Faperj.[Fonte: G1]

Pesquisa comprova que árvores diminuem males da poluição no organismo humano

O organismo humano está mais protegido da poluição perto de árvores localizadas dentro de parques do que ao lado daquelas que estão fora. É o que vai mostrar a tese de doutorado a ser defendida no próximo mês no Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

O estudo mostra que a concentração de metais pesados e gases poluentes no ar é maior nos trechos das áreas verdes próximos a avenidas do que no meio dos parques. O que provoca essa diferença é uma espécie de filtro antipoluição, formado principalmente pelas árvores do entorno dos parques. Elas sequestram e absorvem nas cascas os poluentes, impedindo-os de avançar para o interior dessas áreas.

A constatação foi feita pela engenheira florestal Ana Paula Martins, de 34 anos, que estudou por quatro anos amostras de cascas de árvores de cinco parques de São Paulo: Trianon e Luz, no centro, Previdência, na zona oeste, e Ibirapuera e Aclimação, na zona sul.

De acordo com o trabalho, nenhum dos locais está imune a pelo menos 11 metais, mas a concentração varia conforme a localização. O índice de chumbo no Ibirapuera, por exemplo, é de 13,5 mg/kg, enquanto no Previdência, que beira a Rodovia Raposo Tavares, a quantidade é de 3,9 mg/kg.

Para chegar aos índices, Ana Paula coletou amostras de cascas da camada externa das árvores. Retiradas para análise laboratorial, tais cascas ficavam a 1,5 m de distância do solo. "O ar traz os poluentes, que ficam depositados nas cascas", explica Ana Paula.

As árvores que apresentaram maior concentração de poluentes beiram avenidas com grande fluxo de tráfego, como a Avenida Paulista, onde fica o Parque Trianon. Com isso, segundo a engenheira, é possível identificar os tipos de veículos que trafegam próximo a cada área verde e confirmar o efeito do tráfego na qualidade do ar.

A engenheira diz que o escapamento, a freada e o arranque dos carros, que soltam pedaços de pneu, são responsáveis por liberar partículas de metais. "Zinco, chumbo e cobre são provenientes da poluição veicular", diz.

A dosagem dos metais nas cascas das árvores pode ajudar a elaborar um quadro dos tipos de poluentes existentes, já que a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) faz a medição só dos gases e não indica a concentração ideal desses metais para evitar males a saúde.

Embora não haja um padrão dos níveis saudáveis desses elementos, especialistas afirmam que inalar metais pesados, como bário, bromo e cobalto, entre outros, pode trazer, a longo prazo, problemas à saúde, como câncer, em casos extremos. "Encapar as avenidas com cobertura vegetal pode diminuir o impacto da poluição na saúde, além de aumentar a qualidade do ar", explica Paulo Saldiva, pesquisador do Laboratório de Poluição da USP e orientador da tese.

Boxe 1:

CICLISTAS SENTEM DIFERENÇA DE ARES

Frequentadora assídua do Parque do Ibirapuera, na zona sul da capital, a professora de educação física Vanessa Burkhardt, de 31 anos, diz que seu rendimento é muito melhor dentro do parque do que fora dele. "A oxigenação triplica dentro do parque", diz. A professora vai ao Ibirapuera pelo menos três vezes por semana para correr, andar de bicicleta ou caminhar. Para chegar até lá, usa o carro. Se for pedalar no parque, já sai de bicicleta.Assim que deixa o parque, Vanessa diz sentir os efeitos da poluição no organismo.

"Na pista de corrida, que praticamente é fechada de árvores, não preciso fazer tanto esforço para respirar quanto faço nas áreas próximas às avenidas que rodeiam o parque", conta. A diferença entre seu rendimento dentro e fora do parque fez com que Vanessa questionasse o que provoca essa sensação. "Sempre pensei que fossem as árvores, porque todos dizem que elas melhoram a qualidade do ar", diz.

O músico Lucas Valença, de 26 anos, chegou à mesma conclusão que Vanessa depois de pensar que pedala melhor em áreas verdes. "Não é preciso nem ir a um parque. Basta se exercitar em um bairro arborizado e comparar como o organismo se comporta quando estamos em uma grande avenida", afirma.

Além de fazer exercícios em uma academia, o jovem passeia ou pedala com seu cachorro, um boxer, nas ruas próximas ao Aeroporto de Congonhas, na zona sul, nos finais de semana. "Percebo que até ele (o cachorro) fica menos ofegante quando estamos em bairros arborizados", revela.

Para evitar sentir o nariz seco e dificuldade para respirar durante os exercícios, Lucas conta que sempre se mantém hidratado - e seu cachorro também - e que evita sair entre 10h e 16h. .

Boxe 2:

SUBSTÂNCIAS SÃO TÓXICAS PARA O CORPO

Embora não haja muitos estudos sobre o real impacto da inalação de metais pesados na saúde humana, essas substâncias são tóxicas e podem trazer desde mal-estar imediato, como uma tontura, a efeitos mais duradouros, como dificuldades de aprendizado. "Eles podem induzir a câncer e distúrbios neurológicos", afirma o médico pneumologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Ciro Kirchenchteje.

Ele alerta para algumas partículas de metais, que podem ser grandes e, por isso, ficariam retidas nos pelos do nariz. "Essas (substâncias) são mais graves, mais tóxicas. Suspensas no ar podem provocar irritação no olho e secar a mucosa do nariz."

Níquel e chumbo são elementos que podem provocar danos a longo prazo. "O níquel é cancerígeno, provoca alterações na medula óssea. O chumbo reduz o crescimento", diz Paulo Saldiva, professor e pesquisador da USP.

Além dos metais, gases como o ozônio são parte da poluição atmosférica e podem desencadear crises de asma e bronquite. Para evitar desconfortos provocados pela poluição, a recomendação médica é manter-se hidratado em dias quentes, evitar atividades físicas entre 10h e 16h e umedecer o ambiente residencial e comercial com um balde com água. (Fonte: Yahoo Notícias)

Derretimento da calota polar ártica em 2009 é o terceiro maior desde 1979

Derretimento da calota polar ártica em 2009 é o terceiro maior desde 1979. Foto:/AFP

O derretimento da calota polar ártica observado durante o verão de 2009 no hemisfério norte é um dos maiores registrados desde 1979, ano do início das medições realizadas por satélite, indicou uma instituição governamental norte-americana.

No momento mais intenso de derretimento, o banco de gelo monitorado em 2009 era o terceiro menor dos últimos 30 anos. Em 2007, a calota polar ártica chegou a sua menor superfície já registrada, seguido pelos registros de 2008.

Apesar de o banco de gelo analisado no verão ter aumentado ligeiramente nos últimos três anos, as últimas medições confirmam a tendência de aumento do derretimento da calota polar observada nos últimos 30 anos, ressaltou o Instituto Nacional da Neve e do Gelo (NSIDC).

A calota polar ártica diminuiu fortemente desde 1979, sobretudo durante o verão, indicou o NSIDC em um comunicado divulgado na internet.

Em 12 de setembro de 2009, a superfície da calota polar era de 5,1 milhões de km2, o que parece ser a menor marca do ano, e voltou a aumentar com a queda das temperaturas na chegada do outono, indicou o instituto.

No ponto máximo de derretimento no verão de 2008, a calota polar ártica media 4,5 milhões de km2, contra 4,1 milhões de km2 em 2007.

A superfície mínima da calota polar ártica durante o verão de 2009 é 1,61 milhão de km2 menor que a média anual registrada de 1979 a 2000, indicou o NSIDC. (Fonte: Yahoo Notícias)