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ONU calcula gasto trilionário para evitar "catástrofe ambiental no planeta"

A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou, na terça-feira (5), pesquisa em que calcula um preço para evitar uma "catástrofe ambiental no planeta". Segundo o relatório, até 2050 será necessário investir US$ 1,9 trilhão por ano para intensificar o uso de tecnologias verdes existente e para criar "novos instrumentos tecnológicos necessários". Com isso, o montante aplicado precisaria ser US$ 76 trilhões até o final das próximas quatro décadas.
Atualmente, segundo a pesquisa, 90% da energia mundial é proveniente de combustíveis fósseis, que por sua vez são responsáveis por 60% das emissões de CO2. "A revisão tecnológica terá de ser na escala da primeira revolução industrial", afirma a pesquisa. O estudo ainda cobra a comprometimento dos países em desenvolvimento, como o Brasil, de se responsabilizarem pelo investimento de pelo menos metade dessa quantia, cerca de US$ 1,1 trilhão a cada ano.
Caso os países em desenvolvimento acatem o apelo da ONU, o investimento em “energia verde” precisaria ser expandido entre 2% a 4% em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). O Brasil aplica atualmente um percentual até superior ao recomendado. Em 2010, foi o equivalente a 18,4% de seu PIB na chamada energia limpa.
Segundo a ONU, “desde a revolução industrial, a renda mundial e a população cresceram exponencialmente, assim como a demanda de energia e o acúmulo de resíduos poluentes” chegando ao “limite da atividade humana.” Portanto, de acordo com o relatório, "as mudanças devem ser realizadas em um prazo limitado – mais cedo ou mais tarde – por causa das pressões ecológicas".

Investir é preciso

“Os maiores esforços para a transformação tecnológicas devem ocorrer a nível nacional, respeitando as condições individuais”, diz o documento, que ainda cobra compromissos de desenvolvimento tecnológico entre as nações e maior cooperação para financiamentos.
A pesquisa ainda alega que os empresários e os governos costumam enxergar o financiamento como principal obstáculo para a rápida adaptação às energias limpas. Como saída, o relatório sugere ajuda internacional para suprir as demandas.

Rio+20

No mesmo ensejo climático, o Rio de Janeiro será palco, de 28 de maio a 6 de junho de 2012, de um amplo debate sobre sobre o assunto. O encontro contará com a participação de representantes de diversos países, entre eles os principais alvos de críticas pelos métodos de produção poluidores, como China, Índia e Estados Unidos.
O subsecretário geral da ONU, Sha Zukang, falou sobre a importância de se debater a pesquisa no encontro. “O relatório é leitura obrigatória para o Rio+20, que é uma oportunidade para definir caminhos de um caminho mais seguro, limpo e próspero para todos”, explica Zukang.[Fonte: RedeBrasilAtual]

"A Carne é Fraca"

Os efeitos de nosso falido modelo econômico...

Aumento da taxa de Carbono no Ar

CO2 acumula-se na atmosfera mais depressa que o esperado:


65% da aceleração do aumento da taxa de carbono no ar foi causada pelo crescimento econômico:
A economia mundial vem exigindo mais CO2 para gerar cada dólar de crescimentoSÃO PAULO - A economia mundial está injetando cada vez mais dióxido de carbono na atmosfera, e a eficiência dos mecanismos naturais para retirar o gás causador do efeito estufa do ar vem diminuindo. As duas más notícias aparecem em estudo realizado por uma equipe internacional e publicado pelo periódico Proceedings of the National Academy os Sciences (PNAS).

Enviada da ONU para clima cobra compromisso de todos países

Segundo o trabalho, a taxa de aumento das emissões de CO2 passou de 1,3% ao ano, nos anos 90, para 3,3% ao ano, entre 2000 e 2006. Os pesquisadores atribuem o fato à recente aceleração do crescimento econômico mundial e ao aumento da intensidade de carbono da economia - isto é, do CO2 liberado para gerar cada dólar do PIB mundial. Além disso, os pesquisadores documentam uma tendência, verificada nos últimos 50 anos, de perda de eficiência dos chamados "ralos" por onde a natureza elimina os excessos do gás, que assim acumula-se em taxas maiores na atmosfera.

O estudo estima que, desde 2000, 65% da aceleração do aumento da taxa de carbono no ar foi causada pelo crescimento econômico, 17% ao aumento do consumo de carbono pela economia e 18%, pela perda da eficiência dos mecanismos naturais de reciclagem. Os autores do trabalho notam que o acúmulo de maiores quantidades de CO2 na atmosfera já era esperado, mas que "a magnitude dos sinais observados parece maior que a estimada pelos modelos".

Ao analisar o aumento da intensidade de carbono da economia mundial, os autores do trabalho notam que taxa de emissões de CO2 necessária para produzir US$ 1 do Produto Mundial Bruto (PMB) caiu de 0,35 kg de carbono por dólar, em 1970, para 0,24 kg/dólar em 2000, mas que desde então a relação voltou a aumentar, o que vem fazendo a um ritmo de 0,3% ao ano.

O trabalho nota, ainda, que existe um aumento na fração de dióxido de carbono presente do ar, em comparação com o que é absorvido pela terra e pelos oceanos, o que sinaliza um enfraquecimento dos "ralos" naturais do gás.

Os autores afirmam que a fração que fica na atmosfera, desde 1959, oscilou entre 0% e 80% do carbono emitido, e esteve em 46% entre 2000 e 2006. Agora, vem aumentando a uma taxa de até 0,46% ao ano. "A elevação da fração implica que as emissões de carbono vêm crescendo mais depressa que a estocagem em terra e nos oceanos", diz o artigo.

"Todas essas mudanças caracterizam um ciclo do carbono que gera uma pressão sobre o clima mais forte e mais rápida que o esperado", afirma o texto publicado pela PNAS. (Fonte: Carlos Orsi - estadao.com.br)